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Camboja. Cá vamos nós pelo Natal

montagem elefantes

Estávamos cansados. Precisávamos de férias do turismo mas não queríamos nada clássico. Queríamos um caos com água quente, paisagens deslumbrantes e cultura. Queríamos templos (eu queria:), gastronomia picante e diferente (ah, eles têm de se habituar!). Queríamos ir para o outro lado do mundo mas que não tivéssemos de vender a casa para isso e, claro, queríamos levá-los. Com a abertura da Terra do Sempre deixámos de ter férias no verão e por isso as férias de Natal são tempo de férias grandes para nós!

E que ricas férias! Não é que o Pai Natal também lá vai?

 

Natal camboja .jpeg

Queríamos cidades e ilha paradisíaca. A Asia tem esta coisa boa de ser barato, come-se lindamente e é tudo acessível. Mais, temos praia com água quente, um paraíso.

Tantas vezes nos perguntam… como fazemos com os miúdos? Os miúdos vão, desde sempre. Nunca deixámos de viajar por causa dos miúdos, o que faz com que estejam bem numa escala de 30 horas, numa embarcação lenta e carregada de galinhas e arroz ou num jacto privado. (Ainda não viajámos de jacto privado:)

Camboja here we go:

Tinhamos duas hipóteses: Lisboa para Siem Reap 700 euros ou Lisboa para Phnom Penh  642 euros. Voámos para Siem Reap para começar a aventura  por Angkor Wat. Património mundial da Unesco com  as magníficas ruínas da arquitetura e civilização Khmer.

Durante todo o período das guerras, até aos anos 90, o Complexo de Angkor foi totalmente abandonado. Em 1992  a UNESCO qualificou o complexo como Patrimônio Mundial da Humanidade e abriu portas para que várias nações iniciassem um trabalho de restauração dos templos e ruínas no Camboja.  20 anos depois tudo mudou e  Angkor Wat é uma das mais importantes atrações turísticas de toda a Ásia.

 

angkor vat.jpeg

 

miudos angkor vat.jpegNão dá para evitar…ou esquecer. Lembram-se o filme de Tomb Raider? aqueles templos engolidos pela natureza? nós estivemos lá!

Ta Prohm  é o nome moderno de um dos templos de Angkor, na Província de Siem Reap, no Camboja. Construído no estilo Bayon no final do século XII e início do século XIII. Onde Lara Croft esteve e gravou as cenas do filme, numa encantada  floresta de ruínas.

Parece mentira existir algo assim. A verdade é que neste caso decidiram manter a natureza em bruto em cima das ruínas. E é assim que vale a pena visitar.

raízes camboja.jpeg

Não costumamos viajar em excursões. Talvez culpa de ser jornalista. Talvez culpa do meu pai por nuca ter viajado em excursões. Gosto mais de de cruzar caminhos, ir à procura, falar com quem é de cada espaço. Neste caso e mais uma vez seguimos o nosso instinto. Levantámo-nos às 3:30 da manhã para ir ver o nascer do sol em Angkor vat. É imperdível. Entre o caos de centenas de pessoas e a beleza de uma arquitectura cheia de personalidade, é uma lição de história a céu aberto.

Alugámos uma carrinha com guia. Para o dia inteiro. Com ar condicionado. Com temperaturas de 40 graus e três crianças há que jogar pelo seguro.

Pela hora do almoço estavamos na floating village. Vale a pena ir visitar. As casas, a escola, a igreja, o supermercado, o mundo desta gente é sobre a água.

A região central, perto da cidade, chama-se  Old French Quarter, tem uma mistura dos tempos de colónia francesa com  influências chinesas. Se ficar por aqui hospedado fica bem. Perto de pub street, de restaurantes maravilhosos e onde pode andar à noite, mesmo com crianças. Pratos por 4 ou 5 euros, experiências que os miúdos ficam de olhos em bico como ver comer tarântulas ou outras iguarias, vendidas em carrinhos na rua, como os nossos de pipocas e algodão doce.

Nas ruas, por todo o lado, é fazer uma massagem ali mesmo, nas espreguiçadeiras que ganham  vida, nas calçadas antes do cair da noite.  4 euros por 30 minutos de massagem com wi-fi grátis. Há ainda a massagem aos pés com peixes ou pedicure,  tanques onde os peixes fazem a limpeza dos seus pés e pernas. Não quisemos experimentar mas há muitos valentes!

No dia a dia apanhe um tuk tuk, vá aos mercados, passeie-se e perca-se nas ruas. O tuk tuk é a forma mais barata de andar pela cidade.

Quem chega aqui por Phnom Penh ou apanha um voo… ou tem coragem para  enfrentar de 7h a 8h de autocarro. Capitol Tours e Mekong Express são as empresas mais recomendadas.

Nós fizemos diferente. Daqui partimos para as ilhas. Autocarro de 7/8 horas com wifi para  Sihanoukville e depois barco para a Ilha Koh Rong. Que paraíso!!!os miúdos foram a tentar descobrir para onde iamos e durante 7/8 horas quase não se ouviram.

Em vez do barco de meia hora que avariou apanhámos o slow boat. Duas horas entre galinhas, sacas de arroz e tudo o que pode ser necessário numa ilha, ou seja, nós o barco e tudo o resto, por todo o lado. Digamos que ganhámos, nessas duas horas, uma experiência para a vida, debaixo de uma chuva torrencial. Chegámos com o por-do-sol. O que vimos deixou-nos estupefactos. A ilha tem uma beleza incrível. A água azul, uma baía tão linda que mais parecia um postal que nos chega do primo, abastado, que passa o ano a viajar.

foto ilha

Foi através do Koh Rong Dive Center que alugámos os bungalows em frente ao mar. 55 dolares por noite para todos.  White Beach Bungalows Resort. São também donos das Tree Houses mas estava cheio. A melhor ponta da enseada da praia é esta. O mais bonito. Best spot in town. Longe da confusão do cais, dos jantares e de quem quer fazer a festa, mesmo no sítio certo para quem quer fazer bonito e apaixonar-se pela imensidão de um mar que nos enfeitiça. 

mar camboja

Não esquecer:

Não levar malas de rodas!!! Só mochilas! Não há estradas, só há areia! Podem imaginar o que passámos? Já tinha lido, sim …mas fingi que não queria saber. Quando cheguei a realidade era essa. Andar dois km pela areia, ao cair da noite, com 5 malas de rodas! Escapámos a este trabalho penoso com a ajuda de um rapaz com quem me cruzei na praia. Ele e o seu carro de rodas…carregaram as malas, com a ajuda de todos. Foi duro. Impossível tarefa para o Pedro que estava preparado para levar, uma a uma, em ombros, as nossas bagagens, até chegar ao hotel. Tinhamos chegado ao paraíso…e foi aqui que passámos o Natal.

 

cabana natal

 

Bungallow de frente para o mar. Que luxo. Sem água quente!

Ouviram bem. Sem água quente. Foi só no primeiro dia que estranhámos:) na verdade, toda a ilha não tinha água quente. São os pequenos contratempos que pagamos por querer ser felizes. Restaurante com os pés na água, cabanas, paz. Comida maravilhosa e para quem não gosta de comida tradicional, há sempre pizzas e outras opções, mas por todo o lado, os churrascos na praia, o peixe ali a grelhar ao cair da noite, as velas, as tochas, as espreguiçadeiras e os deuses a sorrir para nós. Tinhamos mesmo chegado às férias!

 

camboja vista

 

alice angkor vat .jpeg

Aqui ficámos 5 noites. Ficaríamos muitas mais. Não fosse a escola começar em Janeiro..por isso e depois de muito snorkeling, passeios na praia, tempo para ler e respirar, foi tempo de partir para longe. De avião para Sen Monoron.

Centro de recuperação de elefantes

Um fim do mundo na fronteira com o Vietnam. É onde está uma das reservas para elefantes que em tempos trabalharam. Um projecto para os elefantes que foram maltratados ou que estavam a ficar velhotes. Um santuário onde estes animais são recuperados. Aqui não se pode montar elefantes. Pode-se viver com eles, conhecer a dinâmica e dar-lhes banho, se eles quiserem. Fazer perguntas aos seus mahouds, quem os melhor conhece e quem lá está todos os dias para os guiar.

Há que respeitar a natureza e dar espaço para ver a vida acontecer. Custa cerca de 50 euros por dia…

 

mané e elefante .jpeg

Existe o Mondulkiri project e o Elephant valley project.

É ler, informarem-se e escolher. Nós visitámos o Mondulkiri, com o Mr Tree. Cerca de 50 euros por pessoa o dia todo com almoço. (versão bem mais em conta do que o outro projecto. Os miúdos pagam menos. Se pudesse voltar atrás não tinha ficado nas cabanas do projecto. Incríveis mas com demasiados espaços abertos na madeira, no meio da floresta e a alerta constante para não deixarmos comida nas mochilas por causa dos ratos!!!) – se há animal que não tolero é este.-

Foram duas noites praticamente em branco. Era fim do ano, estava tudo esgotado, não era possível outra opção! O meu marido gozava-me e eu aguentei-me não sei como.

Quanto à experiência vale a pena a distância. Longe mas longe, umas 10 horas de carro, desde Siem Reap,  que fizemos num taxi alugado, com 4 lugares para 5, mesmo depois de vários emails a explicar que queríamos um carro para 7. Não vale a pena enervarem-se.  A Maioria não fala inglês. Dizem “yes” e “no” e “se não queres ir no carro não vás!”:) Nós fomos!

 

camboja elefantes

São kmS a pé, na floresta. A Alice tinha 4 anos e não era possível andar o dia todo mas a manhã passou num instante e ela nunca se queixou nem pediu colo. As 20 bananas que tinha levado desapareceram em 20 segundos. O cacho completo foi sorvido num ápice.

Uma maravilha entre o zoo porque se vêm animais e o safari porque não existem grades e eles estão em liberdade só que melhor porque somos todos livres desde que os respeitemos. Os elefantes não são tão grandes como os africanos  mas nunca nos sentimos inseguros.

elephant

 

Dormimos aqui duas noites, celebrámos o novo ano num local onde ninguém celebra. Acordámos em 2017 no meio da selva e daqui estava na hora de regressar, não sem antes parar na capital. O regresso foi de autocarro, (cerca de 50 euros para todos) com espaço e com hora marcada, chegámos a Phnom Penh  ao final do dia, a tempo de passear, ir a um mercado e jantar fora.

elefante camboja.jpeg

 

Em poucas palavras, o Khmer Rouge (Khmer Vermelho) foi o partido comunista no poder entre 1975 e 1979, liderado por Pol Pot, o governante genocida que determinou que o Camboja deveria ser um país autossuficiente.

Para isso, instituíram uma reforma agrária que levou a nação à fome. Cortaram serviços médicos, levando milhares à morte por doenças simples ou que tinham cura. Torturas e execuções de forma totalmente arbitrária.

É uma cidade maravilhosamente caótica. Cheguei a dizer que lá vivia um ano, em boa hora o Pedro concordou. Antes dois malucos do que um!

Desorganizada, caótica, de uma beleza inexplicável. Há muita pobreza, muitas crianças a pé,  descalços,  a ir ao lixo. Um murro no estômago nos nossos miúdos que chegaram a exteriorizar a sorte que tinham em ter nascido onde nasceram.

É ir a um espectáculo sobre as danças e costumes do país e não falhar o museu da guerra, onde os guias são ex-combatentes, na maioria amputados devido às minas, mas com historias incríveis que nos levam a uma aula de história como nunca terão na escola.

The war museum ou o museu da guerra: tanques, aviões de guerra, Kalashnikov, guias que estiveram lá para contar…a experiência é brutal e inesquecível. Nunca através dos livros terão esta noção real de como tudo aconteceu.

 

museu da guerra camboja.jpeg

 

 

E…

Por entre as estradas…e os caminhos…há sempre histórias para viver e contar.

Por ex. esta macaca grávida arrancou das mãos da Alice uma garrafa de água! A Alice ainda lutou com ela e tentou não largar mas acabou por deixar ir perante os nossos pedidos. A macaca furou a garrafa com os dentes e bebeu água. Que maravilha!

 

macacos camboja.jpeg

 

 

 

macaco camboja.jpeg

 

 

Onde queríamos ter ido e não fomos porque viajávamos com os miúdos:

Os Killing Fields de Choeung Ek e a Prisão S-21

Dá um nó na garganta só de imaginar este lugar. Mergulhar na história do Camboja é mesmo de deixar o coração apertado.

Os Killing Fields eram originalmente um cemitério chinês, até ser transformado num campo de extermínio na época do Khmer Vermelho.

É pedir  um áudio guia logo na entrada. A entrada custa menos de 5 euros.

Com crianças ou pessoas demasiado sensíveis escolham  outros programas. E não faltam!

 

 

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