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Arrifana, a nossa casa na praia!

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Durante anos a fio a Arrifana foi a nossa praia. A nossa casa. O nosso verão. Podiam ser dois dias, três, uma semana…mas eram aquelas férias de verão.

“Nossa” significa do meu grupo de amigos e minha. Apelidámo-la como nossa  porque foram mais de 15 anos, sempre, para a mesma praia.  Começámos por ir sem filhos, depois com um filho, a Maria do Mar,…depois com todos os filhos. O Ritual sempre foi o mesmo: alugar uma casa à D. Mena onde coubéssemos todos ou seja uma casa para 16 adultos e uma cartrefada de crianças e pior, quando digo que são mais que as mães…quer dizer isso mesmo. Muitas mais que as mães!

Por regra, a única solução para um grupo deste tamanho era em Vale da Telha mas, o spot imperdível é mesmo ficar na rampa da praia. Lá em baixo, junto ao restaurante, nas casas dos pescadores ou na segunda rampa. Actualmente creio que são os filhos da Dona Mena que tomam conta das casas, ela também tinha casas na rampa para alugar mas são mais pequenas.

De manhã é dizer bom dia ao mundo a olhar para o mar e encomendar logo o peixe aos pescadores. Eles trazem já escamado para o jantar…

 

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São férias daquelas de pé no chão, sem carro, fato de banho e uma prancha e lá vão os miúdos. Rampa abaixo, rampa acima. A paragem no bar da praia é certeira. Café de manhã, crepes à tarde e um peixe à noite, quando não fomos a tempo de encomendar aos homens do mar. Volvidos anos…a verdade é que o bar está caro para nós, portugueses…mas aquela vista paga-se e paga-se bem…ainda este ano lá fomos, ver o mar, passar pelo restaurante da praia e pelo menos um café ao final do dia…

A fotografia vem mesmo a pedir aquela paragem!esta paragem e mais tantas outras!

 

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E pelas férias…os dias são compridos. Sem horas. Um baralho de cartas, muito creme, miúdos à solta. Toalhas amontoadas. Bebés. Chapéus de sol. Pranchas de surf e muita gargalhada. Atenção aos carros. Nunca deixar lá em baixo sob pena de quando regressarem sairem a pé. Mais vale fazer a descida e subida da rampa a fingir que a manhã foi de desporto do que arriscar. Aqui arriscar não traz petisco, traz mesmo uma grande chatice e um dia sem carro. Quem corre por gosto…descansa e é o que fazemos quando lá chegamos abaixo junto ao mar.

Novidades dos últimos tempos na rampa: há agora o negócio de quem nos leva lá abaixo por um euro…ou melhor…podem subir de boleia num tuk tuk por um euro…(eu não o fiz…mas os miúdos lá foram- vendidos!-).

Voltemos ao paraíso…e ao Por do Sol daqui. É como se fosse  Natal, recreio, o bilhete para aquele concerto… Aquele lugar de onde não queremos sair…até que há um dia que nos atrevemos a respirar as praias do lado:)

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Praia da Amoreira. Não percam a Taberna do Gabriel.

Está a cerca de 10 mn. Tem um rio que se juntar ao  mar. É de uma beleza extraordinária. O restaurante do lado do rio é imperdível. A vista é um desassossego. Não há como evitar lá jantar!

Para um dia maravilhoso sugerimos que se acomodem nas dunas, entre o rio e o mar. Levem um barco de borracha ou pranchas para os miúdos brincarem, um chapéu de sol (não há toldos) e um pic-nic se não quiserem perder tempo a dar a volta até ao bar!

Monte Clérigo:

A praia tem uma história…metade do grupo (elas) queriam vir para esta praia. Estacionamento à porta, restaurante na hora para aquele café da manhã, acessível e sem ondas…metade de nós não queríamos largar os trabalhos forçados da Arrifana…com tudo o que isso implicava. Ou seja, há uma adoração e algum ódio por esta praia, aquele amor ódio encantado de quem não quer ir mas vai, de quem não volta e está lá nos dia seguinte. Aquele amor ódio de quem quer e vai voltar:)

Praia da Carrapateira:

É mais longe mas vale a pena. Passem pelo centro para tomar café, visitem as lojinhas de surf e o comercio tradicional. Petisquem por ali… O mercado. Estamos a falar de um lugar que é uma praça. Pequeno mas cheio de vida. Dali à praia é um pulinho. De carro. E não ao pé cochinho. Já lá chegámos de auto-caravana. Dormimos por ali, ao pé do mar, e o parque  cheio de caravanas. No verão é arriscado e no inverno recomendado:) Lá está a praia ao longe. O bar que nos embala em mais um por-do-sol para coleccionar. É sempre tempo de regressar. 

Da praia à Pedralva são uns 10 mn. A aldeia tinha perdido quase todos os seus habitantes quando dois amigos agarraram neste pedaço de memória perdida no tempo. Lembro-me da aldeia antes do turismo chegar. Só tinha 3 ou 4 habitantes. Meia dúzia de estrangeiros e uma pizzaria com forno de lenha que já provocava uma romaria. Um aldeia despida de tudo. Não tinha nada. Tinha o peso de vidas passadas e os ventos de quem prometia estar a chegar. No meio de duas vidas respirava a pizzaria. Foi assim que tudo começou. Ainda hoje imperdível. Também aqui dormi muitas noites. Em casa de amigos, na autocaravana que teimava em regressar, parada junto à pizzaria. Se há lugares felizes é este. Não há quase rede. Os bombeiros levam a agua à aldeia, os estrangeiros e portugueses cruzam-se pelas ruas. As crianças brincam descalças e vive-se como nos tempos passados. 

Onde ficar: Casa do Fim do mundo (para 4 pessoas) 

Com tantas crianças, houve divórcios pelo meio e casamentos e continuámos a ir. Passámos tambem pela fase “Dakar” ou seja Arrifana em tavira, quer isto dizer Arrifana em sítios de férias com água quente e sem rampas para a praia, onde coubéssemos todos. Foi maravilhosamente espectacular mas não é a Arrifana…A Arrifana é um lugar sagrado . O nascimento da Terra do Sempre trouxe o fim das férias mais espectaculares de sempre. O verão passou a ser por Grandola, Melides, Carvalhal, São Torpes, Porto Como e Vila Nova…mas há raízes daquelas que estão entranhadas bem fundo. Aqueles lugares onde somos felizes com as nossas pessoas e mesmo quando as nossas pessoas já não estão por aqui, todos os dias,…são as nossas pessoas. E as nossas pessoas são família. Os nossos sobrinhos são Amor. A nossa praia é a Arrifana. Com sabor a gargalhada e onde até o frio é feliz. E se dizem que não devemos voltar aos lugares onde fomos felizes…nós voltámos sempre e se depender de mim estará para breve um regresso de primos à Arrifana.

Entre o alentejo e o Algarve há tanto por descobrir. Tanto com uma tenda às costas como indo subindo de caravana e dormindo aqui e ali. Peguem num mapa e façam-se à estrada. Com ou sem crianças. Levem as bicicletas, mesas de pic-nic, o grelhador e livros. Contem histórias pela noite dentro e demorem-se nestes lugares. Eles são casa para nós. São casa para mim. Será sempre tempo de regressar a casa.

Para a Jo, Avila, Jujas, Raq, Topo, Sara, Mic. Para os nossos miúdos e para os nossos noivos e maridos!:) Que seja um até já.

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